Porque férias me dão tanta vontade de arrumar as coisas? É só chegar o primeiro dia de férias, mesmo que seja um sábado, que já me dá uma vontade louca de organizar as coisas que eu, tão cuidadosamente, baguncei. Tipo um vício. Aí, depois de arrumar alguma parte do quarto, para, morta de cansaço e com uma pilha enorme de papéis velhões do seu lado. Não sei, acho que isso deve acontecer com tudo mundo.

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Pode ser algum desejo inconsciente de, oficialmente, terminar algo, alguma fase da vida. A bagunça, ao ser exterminada (rá!), funcionaria como uma chave de ouro? E, quem sabe, permitiria um novo começo no qual, aproveitando-se os passos certos, tentamos não repetir o que aconteceu de errado.

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Bom, seja lá o que for, isso significa que boa parte do meu quarto tá começando a ficar apresentável. E que eu pretendo ser mais responsável semestre que vem.

Cabelo molhado. Ônibus cheio. Relógio contra a minha vontade. Ninguém na sala. Ninguém no hall. Até aí, um dia péssimo. Depois daí, apesar dos pesares, foi bem bom. Encontrei uns gatos pingados, entendi Webber, vi o Delfim. Saí correndo, visitei a TV Horizonte, conversei com um jornalista, custei prá achar o sindicato inutilmente. No Palácio das Artes, visitei a exposição do acervo do Roberto Marinho e uma outra, ‘ Sobre o deslocamento de coisas e gente – Paulo Nazareth’. Ambas muito boas mesmo. A última tinha três galinhas da angola ciscando por lá. Eu fiquei piando (ou latindo?) prá elas, mas elas fugiram. Vi uns livros bem legais também. Depois, vim prá casa e nada mais. Só aproveitando o frio e ouvindo músicas lindas. Agora tenho que ir, a história da Benetton me espera.

… encontrada em algum lugar.

Há 10 anos:
• Estava na 2ª série
• Ainda tinha sotaque carioca
• Ainda gostava de esportes
• Abreviava todas as palavras do meu caderno e não entendia o que elas queriam dizer depois
• Não sabia mecher no computador

Há 5 anos:
• Estava na 7ª série
• Comecei a gostar de música que presta
• Fiquei mais amiga de uma das pessoas mais importantes prá mim
• Perdi uma das minhas melhores amigas para um chatíssimo lá
• Ganhei o Nick?

Há 2 anos:
• Estava no 2º ano
• Decidi que Jornalismo é o que há
• Fase mega-viciada em Gilmore Girls
• Mudei de casa
• Deixei de ser cabeça-dura e me tornei uma pessoa mais eclética, musicalmente falando

Há 1 ano:
• Estava no 3º ano
• Surtei horrores com o vestibular
• Primeiro e único namoro, marca histórica de um mês
• Conheci muitas pessoas bem legais
• Fiz dança do ventre (saudade!)

Ontem:
• Acordei relativamente cedo, só prá lavar o cabelo
• Fiz algo que pretendia há um mês, mais ou menos
• Me senti ‘a que mora numa cidade praiana’, ao sair na rua
• Estraguei meu celular, titica
• Me diverti horrores chutando o balde (na quinta também, mas isso não vem ao caso. Fazer o 4 é para fracos)
Hoje:
• Encomendei um celular
• Gritei e torci muito durante a corrida
• Fiquei triste por lembrar do Senna
• Escrevi um texto com o Lott, sobre ontem
• Estudei Weber

Elas estão aqui, existindo. Simplesmente isso. Me agarram ao chão e não me deixam me afastar muito do que eu sou. Mudar seria tão belo quanto parece? A insatisfação permanente do ser humano não permite ver a beleza da continuidade, na maioria das vezes. Mas, na minoria das vezes, quando meus olhos se abrem realmente, o meu normal não é tão mal assim. O meu comum não é tão comum assim. Mas a mesma mediocridade alheia não muda. Ela me dá nojo e permanece ridiculamente igual. Pateticamente desprezível.

Obrigada a minhas raízes. Morram, raízes de outrem.

(/egocentrismo mode off)

Sentimento, s. m. Ato de sentir; sensibilidade; paixão; pesar.

Saudades, frio, preguiça, sono, medo, estranhamento, alegria, vontade, carinho, inveja, ciúmes, desejo, culpa, fome, sede, cócegas, dor, borboletas no estômago, simpatia, antipatia, curiosidade, arrependimento. Não. Arrependimento não. Nunca.

Faça tudo o que puder, tudo o que quiser, tudo o que pensar em querer.

“Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretando ele apenas sorriu um pouco mais. , “Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou. “O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”

“Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.

“Não me importo muito para onde…”, retrucou Alice.

“Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.

“…contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.

“Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”

“Alice sentiu que isso não deveria ser negado, então ela tentou outra pergunta.

“Que tipo de gente vive lá?”

“Naquela direção”, o Gato disse, apontando sua pata direita em círculo,” vive o Chapeleiro, e naquela, apontando a outra pata, “vive a Lebre de Março. Visite qualquer um que você queira, os dois são malucos.”

“Mas eu não quero ficar entre gente maluca”, Alice retrucou.

“Oh, você não tem saída”, disse o Gato, “nós somos todos malucos aqui. Eu sou louco. Você é louca.”

“Como você sabe que eu sou louca?”, perguntou Alice.

“Você deve ser”, afirmou o Gato, “ou então não teria vindo para cá.”

Eu odeio pessoas.

Eu amo pessoas.

Amo quem me deixa curiosa.

Odeio não poder dizer tudo o que eu queria dizer.

Odeio dizer mais do que eu gostaria de dizer.

Amo abraços, principalmente os apertados.

Amo entrar na vida das pessoas.

Amo saber segredos de pessoas que mal me conhecem.

Odeio falar e não ser ouvida.

Odeio falar para não ser ouvida e ser ouvida.

Amo aquele friozinho na barriga.

Amo pessoas que lutam pelo que querem.

Amo boa educação.

Amo desequilíbrio.

Odeio não poder contar o maldito segredo.

Odeio perceber que o que eu mais queria é que alguém percebesse esse segredo e me ajudasse.

Odeio ter medo de acreditar nas pessoas.

Odeio acreditar e perceber que tudo seria muito, muito mais simples se eu não tivesse acreditado.

Amo meus dias otimistas.

Amo jogos.

Amo ouvir música.

Amo ficar sem fôlego.

Amo ficar rouca.

Amo o cheiro de livros velhos.

Amo reencontros.

Odeio conversas sérias.

Odeio me decepcionar com muito pouco.

Amo meus ímpetos de coragem.

Odeio que o medo de decepcionar contagie a minha coragem.

Odeio que o medo de que tudo acaba contagie a minha coragem.

Odeio ler mais do que as pessoas dizem em suas falas.

Amo meu segredo.

Amo não ter que decidir.

Odeio não perceber que provocações são apenas provocações.

Amo finais de livros.

Odeio perder o controle do que acontece comigo.

Odeio não conseguir distinguir a brincadeira da verdade.

Amo cores muito vivas, intensas.

Amo preto e branco.

Amo ver filmes com quem eu gosto.

Amo declarações inesperadas.

Odeio dizer que odeio tantas coisas.

Amo coisas simples.

Amo coisas impulsivas.

Amo.

Publicado originalmente no TVLama, mas isso é apenas um detalhe.

Na última quarta cheguei apreensiva para a prova de Fundamentos. Pelo que dizem, a prova que fod* com o RSG de todo mundo. Qual não foi minha surpresa ao receber um alegre convite! Fui chamada para participar da TV Lama, da qual já havia ouvido no famoso Lounge do Lott. Após ler o texto inicial, já pronto, sobre o referido evento, comecei a pensar sobre um assunto para inaugurar minha participação nessa coisa que promete ser um verdadeiro [palavra do delfim], se eu entendi o significado dessa palavra ao longo das aulas de HSM nas quais não invadi o DA de Biblioteconomia (curso que, diga-se de passagem, já pensei em fazer). Então, lembrei-me da palavra de ordem dos meus últimos dias (exceto terça): otimismo.
Sim, otimismo. Taí a chave para o sucesso, meus queridos. Chega de estudar, de se esforçar, chega de tudo! Seja otimista e você vai ser alguém.
Jogue a palavra no oráculo.
O primeiro site é o Otimismo em Rede[http://www.otimismoemrede.com/]. Só o nome já te deixa feliz, mas tudo bem. Em uma plena noite de quarta 237 usuários online. Haja gente desocupada, fazer o que. Há uma frase ridícula, uma homenagem à nova queridinha dos jornais(nada contra ela, mas contra a excessiva cobertura do caso), um local para cadastro de e-mails(só deixe o seu se você estiver muito triste e carente, mas muito mesmo), uma daquelas apresentações ppt e um índice de formas de se obter mensagens otimistas: quadrinhos, vídeos, mais ppts, etc. Em mensagens de otimismo, por exemplo, podemos ver textos muito grandes que eu não nenho paciência de ler. Mas, quem liga, você não precisa disso. Voltemos aos resultados do oráculo.
O segundo site é… o pseudo oráculo: Wikipédia! Eis a definição de lá.
“Otimismo é a disposição para encarar as coisas pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis. É o oposto de pessimismo.(mentira!…)
A oposição entre otimismo e pessimismo é seguidamente evocada pela ‘charada do copo’: se ele é preenchido com água até a metade de sua capacidade, espera-se que um otimista diga que ele está ‘meio cheio’ e que um pessimista reconheça um copo ‘meio vazio’.”
Pense… seu copo está meio cheio ou meio vazio? Aprenda a enchê-lo. Um guia rápido, aqui e agora.
Levante-se com o pé direito. Ou esquerdo, tanto faz. Isso não interfere.
Dê bom dia ao sol. Ou, se você levantar cedo, como eu, pode dar bom dia ao dia, porque nossa estrela ainda vai estar dormindo.  Ô vida boa. Sendo otimista, um dia você também poderá acordar bem tarde, não desista! Deseje também para todo mundo que você encontrar pelo seu caminho. Vão te achar simpático (ou, como ocorre no meu caso, irritante).
Releve os acontecimentos ruins. Se, por exemplo, você quase for assaltada (o) e precisar entrar num carro de desconhecidos, a ponto de ser sequestrada(a) e estuprada(o), pense no lado positivo: você não foi assaltada, nem sequestrada e muito menos estuprada! Sóchegou em casa tremendo que nem vara verde e agora tem medo de sair de casa(mas podia ser pior…)! Se você tomar 4 bolos direito e 5 indiretos, pense: haverão outras oportunidades. Se não puder fazer uma coisa que realmente queris só porque sua identidade não é a original, pense: fazendo outro dia, tudo será melhor planejado e ninguém desmaiará ao seu lado! Se você tomar chuva, dance, nada mais cinematográfico(idiota, mas cinematográfico).
Enalteça os bons. Se ganhar alguma coisa, mesmo que seja um dadinho(bala, pros sem cultura que não conhecem), comomere horrores! Mesmo porque é o melhor doce da tia do doce do terceiro andar, na minha opinião. Dê valor às coisas simples da vicda, por mais que isso pareça título de livro de auto-ajuda. Uma coisa simples pode ter significados estremamente complexos e bonitos. Lembre-se dos elogios que fizerem a você. Jogue na cara de todo mundo aquela única vez que você ganhou na sinuca. É bom, você vai ver.
Cante na rua. Tá, não te a ver, mas é legal cantar na rua.
Enfim, observe sempre o lado positivo de tudo o que acontece com você. Se você, depois disso, não se achar o último passatempo do pacote, não desista! Na pior das hipóteses você não vai ser a(o) chata(o) reclamona(ão) do povo!

Camarada viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor

- Oi?

- Oi. O que diabos quer aqui?

- Não sei. Incomodar, eu acho. Mas não a você.

- A quem, então? A você mesma?

- Quem sabe. Não seria ruim. Gosto de ser incomodada.

- Mas porque me usa prá isso? Não pode se incomodar sozinha?

- Não. Bom, pelo menos, acho que não. Não tem como.

- Use suas manias. Tire alguma coisa do lugar.

- Não adianta. Não quero. Acho que a coisa é com você.

- …

- Então. Como vai?

- Aonde você quer chegar?

- Não sei. Aonde for.

- Sabe, você não está incomodando tanto. É até divertido.

- Divertido o que?

- Ser incomodado.

- Ah, é? Então eu não estou cumprindo muito bem o meu papel. Ou estou?

- Não sei. Tem escrito em algum lugar que a pessoa não pode se divertir?

- Talvez no dicionário. Mas quem liga? Afinal, quem fez o dicionário? Acho que cada um deveria escrever as definições que acha que cada palavra tem. É ela que importa, no fim.

- Que fim?

- Não sei. O início.

- Início?

- Sim, o fim.

Robert Capa. O cara foi simplesmente um gênio. Então, nada mais natural que escrever sobre ele, não?  =)

Andrei Friedmann. Esse é o nome do mestre da fotografia. Até eu, que não sou entendida no assunto (mas gostaria de ser), reconheço que as fotos dele são estonteantes. Elas conseguem captar a essência do momento tão perfeitamente, que você pensa que conhece as pessoas fotografadas.

Capa nasceu em 1913, em Budapeste, Hungria. Na escola, interessa-se pelo marxismo. Em 1930 vai para Berlim, exilado, e tem contato com o jornalismo. Em 1931, tira uma foto de Lênin, que inaugura seu trabalho coo fotógrafo. No ano seguinte, sai da Alemanha após Hitler chegar ao poder. Em 1935, Andrei cria um pseudônimo: Robert Capa, que diz ser um fotógrafo estadunidense.

Cobriu várias guerras, entre elas a Guerra Civil Espanhola e o desembarque dos Aliados na Normandia. Ironicamente, não morreu atingido por balas, mas pisando em uma mina, na Guerra da Indochina. Morreu fazendo o que gostava e segurou sua câmera até o último momento. Quando foi encontrado, ela ainda estava em suas mãos.

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